Pedaço de Mim
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Chico Buarque
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Quantas vezes ainda ouviremos noticias como a morte do menino João Hélio Fernandes, de seis anos, que ficou preso a um cinto de segurança e foi arrastado por sete quilômetros pelos monstros que roubaram o carro de sua mãe, sem fazermos absolutamente nada?
Integrantes dos três poderes, dentro de seus carros blindados com ar-condicionado, se insuflam nesses momentos,
mostram-se indignados para logo depois deitar na sua eterna letargia.
Acham que coisas desse tipo não ocorrerão com eles e com seus familiares, somente conosco, miseráveis mortais.
Até quando teremos que perder nossos entes queridos em crimes tão estúpidos?
Até quando teremos que conviver com tanta mediocridade, barbárie, impunidade e diferenças sociais?
